Ouvir uma música que teima em não nos sair do ouvido numa rádio local, acabadinha de descobrir entre sintonizações de estações de forró e anúncios de frango congelado do talho da freguesia, tem ainda mais emoção.
Ainda para mais, quando estamos naquela fase da viagem em que já não conseguimos olhar mais para o livro, estamos cansados de ter que sintonizar novas estações a cada quilómetro, e todas as músicas do mp3 nos soam a playlists chungas dos anos 90.
As cotoveladas sistemáticas da cliente do banco ao lado e o bichos carpinteiros da senhora da frente - que inclinava e desinclinava o banco a cada 5 minutos - pareceram-me simpatias de domingo.
Mais uma vez, aprendi que não devo desdenhar do que não conheço: encontra-se muita coisa boa nas estações locais e regionais por esse país fora, e não é só em Lisboa que o acto de ligar a rádio me rouba um sorriso idiota.
Vou passar a fazer mais viagens de expresso.
Quero ter mais surpresas destas.