quarta-feira, 11 de abril de 2012

Insónia de comboio

Se há coisa que enerva no dilema regresso a Lisboa são as quatro (4!) horas de vida útil que se perdem a observar os giestais junto à linha férrea e a ouvir uma sexagenária diferente a cada viagem contar os seus porquês para o fim do mundo.

No início, bastava abrir um molho de apontamentos ou um livro mais aborrecido para que o canto da janela fosse encosto da minha cabeça até ao destino.
Esse é mesmo o pensamento a que recorro para me conseguir empurrar para fora da cama às 5h30, mas ultimamente a sensibilidade do meu sono de viagem é equivalente à dos 'tais' cristais quando o elefante entra na loja.

Ora são as habituais paragens extra que a CP adora dar ao passageiro, ora são os velhotes a berrar ao telemóvel para garantir que a distância física não rouba a mensagem ao receptor.

As conversas com os colegas do lado - sexagenários, mas vá, não só - deixamos de lado. São carradas de capítulos de iluminismo puro, qual Montesquieu.

Nem uma canção mais melodiosa ou um livro de letrinhas tamanho 8 me fazem fechar a pálpebra, coisa que só acontece nos últimos 20 minutos de viagem. O suficiente para andar a deambular o resto do dia pela capital com ar de quem "não chegou a água aos olhos", como diz o meu avô.

Hoje nem isto, que resulta sempre tão bem.