sábado, 14 de abril de 2012

Dia internacional do beijo: sexta-feira 13

Casais apaixonados utentes de transportes públicos: pede-se contenção em manifestações de maior fôlego em horas de ponta.
Ontem, no metro a caminho do trabalho, dois passaram o tempo todo a fazer jus ao dia que se comemorava. Quando paravam, traziam à baila aquele tipo de diálogo produtivo próprio de quem também não se sente à-vontade:

Ela: (inclina a cabeça para o lado)
Ele: O que é que tens?
Ela: Nada.
Ele: Hum. (inclina também a cabeça para o mesmo lado)

E recomeçavam.

Naquela altura senti uma profunda falta dos meus phones a berrar-me nos ouvidos, para não ter que testemunhar aquele strange time. Os meus olhos, que andam habitualmente fixos no teto da carruagem, já nem sabiam para que distância virar. Aquela estória da flor-mistério deve andar surtir efeitos de romantismo na linha azul, pensei eu...


Coisa já de si perturbadora é ouvir as conversas dos outros nos transportes públicos em hora de ponta, quanto mais quando elas incluem muito amasso num metro quadrado para 10 pessoas.

Outra vez, no 742, dois faziam um espalhafato tal que todos à volta se desviavam e os solavancos do autocarro parece que em vez de os separar, ainda os juntava mais. A cada curva, os que estavam ao lado levavam um encontrão duplo.

Note-se que não tenho nada contra estas manifestações, mas por uma questão de comodidade dos outros e segurança dos próprios, aconselham-se percursos menos sinuosos e horas menos congestionadas para este tipo de práticas.

O utente agradece. E a abençoada sexta-feira 13 também.